Como digo, o cinema nacional vem cada vez me
surpreendendo mais... só esse ano, pelo que me lembro agora... eu vi “Cilada.com”
e o “O homem do futuro”, os dois muito
bons. Mas o filme que assisti ontem, me surpreendeu de uma forma diferente, no
sentido geral, a fotografia e grande parte da trilha sonora me chamaram a
atenção.
Foi um filme que assistimos por acaso, no
horário que chegamos era o única que ainda havia seção para começar. Outro dia
no trabalho, conversando com colegas, comentamos sobre o filme, e realmente o
vi de forma desinteressada; por dois motivos, o primeiro, é um filme nacional,
e segundo, o título do filme é “O Palhaço”, houve uma época que até medo de
palhaço eu tinha (quando era mais jovem, claro), mas com tudo, ainda fiquei um
pouco curioso, pois é um filme com atuação e direção de um cara que admiro
muito, desde o tempo da Lisbela, o Selton Mello, então resolvi dar um crédito,
e também minha namorada queria ver, então fomos.
De minhas palavras, digo que adorei o filme,
entrei na sala acreditando que iria dar algumas boas risadas, e dei, de fato,
mas por outro lado, o filme, em alguns momentos chegou a deixar os meu olhos um
pouco úmidos de lágrimas, não escorreram, apenas brotaram, pois de uma forma
belíssima o filme nos trouxe o drama vivido pelo personagem principal, como
também o vivido por cada um dos que estavam em sua volta. Mas enfim, não tenho
muita vocação pra críticas, e fuçando na Internet encontrei uma que me agradou
muito e vou postar aqui, foi uma crítica escrita por Renato Rocha e está
disponível aqui: <http://www.cinelogin.com.br/cinema/o-palhaco-critica>
Segue a crítica do Renato Rocha.
“O
Palhaço
E
o palhaço o que é? Ladrão de mulher. A frase célebre permeou o imaginário
popular durante anos e fez a fama dos palhaços no folclore nacional, mas é a
imagem do palhaço triste que ganhou força nos últimos tempos. Levar alegria e
esconder a tristeza por trás de um sorriso. Quem está por trás da maquiagem?
Quem faz rir aquele que faz rir?
Essa é a questão proposta por Benjamin, o palhaço
Pangaré, vivido por Selton Mello. Filho do palhaço Puro Sangue (Paulo José),
dono do circo Esperança, Benjamim se vê perdido em meio aos risos que provoca.
A vida não é fácil para a trupe circense, pular de cidade em cidade em carros
velhos, se apresentar para públicos cada vez menores, usar equipamentos
sucateados para no final conseguir uns míseros trocados. Dá para sobreviver e
se divertir. Para os outros que fazem parte do circo isso parece bastar, mas
não para Benjamim, que ao se colocar numa posição de dono herdeiro para
administrar o negócio acaba sem saber como lidar com a vida miserável que
levam. Ele precisa se encontrar e literalmente não tem identidade. É um golpe
duro não ter como comprar um sutiã maior para um funcionário ou um simples
ventilador, e é da inabilidade de Benjamim em lidar com essa situação que surge
a linha condutora de O Palhaço.
Dirigido pelo próprio Selton Mello (seu segundo
filme na direção, o primeiro foi Feliz Natal), O Palhaço adota um tom de road
movie para mostrar o cotidiano daquele circo. Trata com carinho daqueles
personagens e de como interagem entre si, quase deixando transparecer que estão
juntos mais pela força das circunstâncias do que pelo amor ao picadeiro. Uma
sensação de estagnação, de deixa a vida me levar, mas ao mesmo tempo unidos
para roer o osso, como uma verdadeira família.
A escalação do elenco é outro acerto, desde a trupe
do circo até os que fazem pequenas participações. Se o que se pretende é uma
homenagem à arte, usar a figura de Paulo José como um palhaço da velha guarda
soa mais do que isso, soa como um resgate. Da mesma forma as participações
Tonico Pereira, Ferrugem, Moacyr Franco e Jorge Loredo que rendem bons e
divertidos momentos. E se é a família que é retratada, por que não usar isso?
Selton Mello brinca e insere também seu irmão Danton Mello em uma pequena
participação.
É necessário se afastar para se encontrar, mas fugir
daquilo que se é por não ter certeza traz ainda mais infelicidade do que viver
em outra vida que se pretendia querer. É o risco que se corre, mas o riso
salva. A grande sacada de Selton Mello não é só ao retratar com sensibilidade o
drama de Benjamin, é, principalmente, perceber o encantamento que o circo
exerce sobre as pessoas, sobretudo as crianças, e de forma sutil ele aos poucos
tira o foco do palhaço e passa o foco para a magia do próprio circo, e de como
a renovação sempre vem.”

Nenhum comentário:
Postar um comentário