sexta-feira, 15 de junho de 2012


O Halito

O tempo era cinza, era frio, mas os galhos não estavam úmidos, estavam apenas secos, sem folhas, e aparentemente sem vida, o único som que se ouvia era o vento que cortava os galhos e chegavam a minha janela como se quisesse entrar, batendo forte, gritando por socorro, como se fugissem de algo; a medida que as horas iam avançando o vento ficava mais forte, o barulho mais alto, minha janela começou a bater, e de uma hora para outra senti o frio que invadiu meu quarto, eu não conseguia abrir os olhos, não conseguia me mover, todo o calor que eu sentia e me protegia em baixo de minhas cobertas já havia sido substituído pela frio que chegava aos meus ossos, percorria meu corpo e me fazia sentir que todos os pelos em meu corpo queriam fugir de mim, como se já soubessem o que estaria para acontecer, senti um forte cheiro de terra úmida e de mato, senti que alguma coisa subia em minha cama, era como se caminhasse sobre ela, se deitou ao meu lado e comecei a sentir seu halito quente em frente ao meu rosto, do outro lado do cobertor; criei coragem, abri os olhos e lentamente fui levantando a coberta quando fui ferozmente surpreendido...


Ao levantar a coberta fui surpreendido por uma grande lambida no olho e fortes pulos de alegria, era meu cachorro!





Igor Demidov

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